
segunda-feira, 15 de março de 2010
domingo, 7 de março de 2010
8 DE MARÇO - DIA INTERNACIONAL DA MULHER
Veja outros artigos que o “Intercontextos” já publicou sobre a mulher
“Uma força de outra grandeza”
http://intercontextos.blogspot.com/2009/03/uma-forca-de-outra-grandeza_03.html
“Deterioração da imagem feminina em sociedade”
http://intercontextos.blogspot.com/2009/03/apelos-deterioracao-do-papel-feminino.html
“O estigma de ser mulher na mídia”
http://intercontextos.blogspot.com/2009/03/o-estigma-de-ser-mulher-na-midia.html
“Sobre o direito de envelhecer”
http://intercontextos.blogspot.com/2009/01/sobre-o-direito-de-envelhecer.html
8 DE MARÇO - DIA INTERNACIONAL DA MULHER
Zilda Arns - Uma vida pela solidariedade

Num Brasil carente de bons exemplos, de justiça, compaixão, de políticos honestos e comprometidos com a área social, de pessoas dispostas a ajudar sem ambicionar vantagens com o sofrimento alheio, quando surge alguém capaz de preencher uma dessas lacunas já somos eternamente gratos.
Assim, também, devem se sentir milhares de crianças que foram salvas graças às ações simples, porém eficientes feitas pela Pastoral da Criança, que teve como fundadora Zilda Arns. Ela foi responsável por comandar uma rede de voluntariados para diminuir a mortalidade infantil. Em Florianópolis, a primeira cidade a ser atendida - de um índice de 127 mortes a cada mil crianças, recuou para 28 mortes a cada mil nascimentos após um ano de atividade da Pastoral.
Filantropia – Em 1983 surgiu a Pastoral da Criança, ligada a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), com a missão de educar para passar adiante o conhecimento básico de saúde, voltado à prevenção. Zilda Arns propagou a receita do ‘soro caseiro’ em mais de 32 mil comunidades carentes por todo o Brasil e que são visitadas todos os meses pela entidade. Sua competência e dedicação viajaram o mundo e a médica, especializada em educação física e pediatria, viúva, mãe de cinco filhos, foi indicada três vezes ao prêmio Nobel da Paz, recebeu várias condecorações como as Woodrow Wilson e Opus Prize, entre outras.
Em 2009, Zilda completou 50 anos de medicina, embora tenha atuado mais como educadora que como médica. “Sem educação, trava-se uma luta pela sobrevivência, não para se desenvolver”, disse em entrevista à revista Sorria (março, 2009). Reconhecida mundialmente por meio do trabalho na Pastoral, Zilda levou seu conhecimento para ajudar outros 17 países. No começo deste ano, a médica sanitarista estava no Haiti para realizar mais uma palestra sobre a Pastoral da Criança, quando houve o terremoto.
Ela tinha 75 anos quando morreu, mas deixou para todos os brasileiros e voluntários estrangeiros um grande e valioso exemplo de vida. Se uma pequena semente é plantada com amor e carinho, ela cresce forte, vira uma árvore e dá muitos frutos. Atualmente, a Pastoral da Criança atende cerca de dois milhões de crianças ou 20% das crianças pobres do Brasil, sem contar sua ramificação, a Pastoral da Pessoa Idosa, auxiliando cerca de 130 mil idosos.
No dia Internacional da Mulher devemos sempre lembrar daquelas que enfrentaram muitos desafios para tentar mudar a realidade de uma época repleta de machismo, preconceito, indiferença, desigualdade e violência. Mulheres de fibra que não se curvaram e nem se abateram ao primeiro obstáculo encontrado e, sim, seguiram adiante. Hoje, desfrutamos de suas conquistas. Zilda Arns fez parte desse seleto grupo de mulheres.
Assim, também, devem se sentir milhares de crianças que foram salvas graças às ações simples, porém eficientes feitas pela Pastoral da Criança, que teve como fundadora Zilda Arns. Ela foi responsável por comandar uma rede de voluntariados para diminuir a mortalidade infantil. Em Florianópolis, a primeira cidade a ser atendida - de um índice de 127 mortes a cada mil crianças, recuou para 28 mortes a cada mil nascimentos após um ano de atividade da Pastoral.
Filantropia – Em 1983 surgiu a Pastoral da Criança, ligada a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), com a missão de educar para passar adiante o conhecimento básico de saúde, voltado à prevenção. Zilda Arns propagou a receita do ‘soro caseiro’ em mais de 32 mil comunidades carentes por todo o Brasil e que são visitadas todos os meses pela entidade. Sua competência e dedicação viajaram o mundo e a médica, especializada em educação física e pediatria, viúva, mãe de cinco filhos, foi indicada três vezes ao prêmio Nobel da Paz, recebeu várias condecorações como as Woodrow Wilson e Opus Prize, entre outras.
Em 2009, Zilda completou 50 anos de medicina, embora tenha atuado mais como educadora que como médica. “Sem educação, trava-se uma luta pela sobrevivência, não para se desenvolver”, disse em entrevista à revista Sorria (março, 2009). Reconhecida mundialmente por meio do trabalho na Pastoral, Zilda levou seu conhecimento para ajudar outros 17 países. No começo deste ano, a médica sanitarista estava no Haiti para realizar mais uma palestra sobre a Pastoral da Criança, quando houve o terremoto.
Ela tinha 75 anos quando morreu, mas deixou para todos os brasileiros e voluntários estrangeiros um grande e valioso exemplo de vida. Se uma pequena semente é plantada com amor e carinho, ela cresce forte, vira uma árvore e dá muitos frutos. Atualmente, a Pastoral da Criança atende cerca de dois milhões de crianças ou 20% das crianças pobres do Brasil, sem contar sua ramificação, a Pastoral da Pessoa Idosa, auxiliando cerca de 130 mil idosos.
No dia Internacional da Mulher devemos sempre lembrar daquelas que enfrentaram muitos desafios para tentar mudar a realidade de uma época repleta de machismo, preconceito, indiferença, desigualdade e violência. Mulheres de fibra que não se curvaram e nem se abateram ao primeiro obstáculo encontrado e, sim, seguiram adiante. Hoje, desfrutamos de suas conquistas. Zilda Arns fez parte desse seleto grupo de mulheres.
Por Joelma Godoy de Mello
Imagem: Zilda Arns por Lina Faria - jornale.com.br
quinta-feira, 4 de março de 2010
8 DE MARÇO - DIA INTERNACIONAL DA MULHER
Marie Curie – uma vida pela Ciência
“A vida não é fácil para nenhum de nós. Mas e daí? Devemos ter perseverança e, sobretudo, confiança em nós mesmos. Devemos acreditar que temos um dom para algo e que esse algo deve ser alcançado.”Marie Curie
Numa época em que infelizmente grande parte das mulheres conquista notoriedade perante a sociedade em detrimento apenas de qualidades físicas, relembrar a trajetória de vida de Marie Curie pode servir como grande incentivo para todas aquelas que sonham com realizações profissionais e em desbravar campos anteriormente creditados apenas ao trabalho dos homens.
Marie Curie (neé Skłodowska) foi o que se pode chamar de uma mulher completa. Viveu para a vida científica, para a vida familiar, e ainda deixou um legado em pesquisa ao qual a humanidade precisa ser grata. Nascida em 1867 em Varsóvia, Polônia, a quinta filha de um casal de professores, Marie passou por necessidades quando ainda era muito jovem. Tanto ela como seus irmãos e irmãs queriam continuar os estudos, mas a família, empobrecida, não podia financiar a vida acadêmica de nenhum deles. Marie, então, fez um acordo com uma das irmãs, ela trabalharia para pagar seus estudos e, quando estes chegassem ao fim, a irmã faria a mesma coisa por ela.
Depois de iniciar seus primeiros treinamentos científicos nos laboratórios do Museu da Indústria e Arquitetura de Varsóvia, Marie rumou para a Sorbonne em Paris, onde passou a estudar física, química e matemática com grande brilhantismo. Lá, ela conheceu seu futuro marido, Pierre Curie, um instrutor da École Supérieure de Physique et de Chimie Industrielles de la Ville de Paris. Naquele mesmo ano, Marie se candidatou a um cargo de professora na Universidade da Cracóvia, o qual lhe foi negado por ela ser mulher.
Em 1896, já casada e mantendo um laboratório junto com o marido em Paris, Marie passou a realizar experimentos com o recém-descoberto urânio, constatando que os raios desse elemento tinham o poder de transformar o ar num condutor de energia. Suas pesquisas incansáveis mostraram que a radiação não surgia da interação entre moléculas, mas provinham do próprio átomo. O que pode parecer uma constatação simples, daria base para diversas tecnologias no futuro, como a invenção do raio-x e da quimioterapia, por exemplo.
Sabendo que a sociedade científica de sua época dificilmente reconheceria tais descobertas como sendo de uma mulher, Marie Curie se apressou em publicá-las na revista da Académie des Sciences. Em dezembro de 1898, Marie e Pierre Curie publicaram outra descoberta, o rádio, um metal altamente radiativo.
Enquanto o casal trabalhava incessantemente em seus experimentos científicos, ainda não desconfiavam das consequências que o manuseio de tais elementos traria para sua saúde. A exposição à radiação em seu laboratório era tão alta que, à noite, quando iam se deitar, as mãos e partes da roupa emanavam um brilho azul-esverdeado no escuro.
Em 1903, Marie recebeu o Prêmio Nobel em Física. Oito anos depois, já mãe de duas filhas, recebeu o Prêmio Nobel em Química, se tornando um nome conhecido e respeitado, porém não o suficiente para ser aceita como membro da Académie des Sciences; o motivo, novamente: por ser mulher. No mesmo ano, Marie foi hospitalizada com complicações de saúde.
As consequências da exposição à radiação haviam começado. A saúde do casal fora afetada, mas, mesmo a par dos riscos, e depois da morte do marido, Marie decidiu continuar sua dedicação à Ciência. Os últimos anos de sua vida ela passou em seu laboratório e realizando atos beneficentes. Em 1934, morreu do que na época foi diagnosticado como um tipo avançado de anemia, o que, hoje, é conhecido por leucemia e que, graças ao seu legado, pode ser tratada.
O laboratório de Marie está atualmente preservado no Museu Curie, em Paris. Suas anotações, objetos de trabalho, e até mesmo seu livro de receitas culinárias estão guardados em caixas especiais, devido à alta radiação que ainda emana deles (ainda brilham no escuro), e para serem consultados exigem todos os aparatos anti-contaminação.
Marie Curie é um exemplo de coragem e competência. Primeira mulher a receber um Prêmio Nobel, ela é uma das responsáveis por provar que a mulher é tão capaz quanto o homem intelectualmente. Devido à doação que fez da própria vida para a física e a química, hoje milhares de mulheres têm chances de sobreviver ao câncer.
Por Maricy Ferrazzo
Fontes: Wikipedia.com
nobelprize.org
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
VIOLÊNCIA
Triste realidade

Mais uma dessas pessoas humildes e trabalhadoras, mais uma história de opressão. Sandra, nome fictício, pessoa real. Doméstica, honesta, corajosa. Uma mulher que cria os filhos sozinha, sem nem ao menos fazer uso do direito da pensão alimentícia. Moradora de bairro pobre, longínquo, escuro à noite.
Sandra há pouco tempo havia atendido ao pedido dos filhos que consistia em terem um gatinho de estimação. Conseguiu um filhote de uma conhecida. As crianças ficaram encantadas. O bichinho foi batizado, recebeu casa comida e amor.
Contudo, há poucos dias, a família de Sandra teve que enfrentar o horror de encontrar seu mascote retalhado, num corte limpo, de ponta a ponta, se arrastando para casa, mais morto que vivo. Certamente a violência foi dupla.
Fazer mal a um animal é crime. Atingir crianças por meio de um crime contra um animal também é. Não há argumento que possa eximir da culpa (e da maldade) a pessoa que deliberadamente fere um animal inofensivo. Se fosse possível agrupar as mentes criminosas, quão distantes ficariam aquelas que torturam um bicho daquelas que torturam crianças?
Entretanto, há mais uma questão indignante neste fato. Muitas vezes é óbvia a identidade do agressor, não há necessidade de se morar no bairro de Sandra para saber disso, entretanto, só quem mora no bairro dela sabe que é uma impossibilidade se revoltar contra tal crime. Ela mesma não tem ilusões em relação a isso. Por lá, melhor engolir o choro e a indignação quando esfaqueiam seu bicho de estimação. Não há segurança nem mesmo para se exigir um direito ou defender a ética humana, a não ser, é claro, que se queira colocar a própria vida em risco.
Injusto é um país onde todos se acomodam e esperam pelo julgamento das leis. Porque dessa forma o que se combate são apenas os casos sem volta, o crime de facto; quando o que deveria ser combatido é a derrocada do humanismo, o desrespeito à vida. Infelizmente, o individualismo está alimentando o medo e a covardia de muitos, tornando nossa sociedade um território de silêncios oprimidos e violência livre.
Por Maricy Ferrazzo
Imagem: jie.itaipu.gov.br
Sandra há pouco tempo havia atendido ao pedido dos filhos que consistia em terem um gatinho de estimação. Conseguiu um filhote de uma conhecida. As crianças ficaram encantadas. O bichinho foi batizado, recebeu casa comida e amor.
Contudo, há poucos dias, a família de Sandra teve que enfrentar o horror de encontrar seu mascote retalhado, num corte limpo, de ponta a ponta, se arrastando para casa, mais morto que vivo. Certamente a violência foi dupla.
Fazer mal a um animal é crime. Atingir crianças por meio de um crime contra um animal também é. Não há argumento que possa eximir da culpa (e da maldade) a pessoa que deliberadamente fere um animal inofensivo. Se fosse possível agrupar as mentes criminosas, quão distantes ficariam aquelas que torturam um bicho daquelas que torturam crianças?
Entretanto, há mais uma questão indignante neste fato. Muitas vezes é óbvia a identidade do agressor, não há necessidade de se morar no bairro de Sandra para saber disso, entretanto, só quem mora no bairro dela sabe que é uma impossibilidade se revoltar contra tal crime. Ela mesma não tem ilusões em relação a isso. Por lá, melhor engolir o choro e a indignação quando esfaqueiam seu bicho de estimação. Não há segurança nem mesmo para se exigir um direito ou defender a ética humana, a não ser, é claro, que se queira colocar a própria vida em risco.
Injusto é um país onde todos se acomodam e esperam pelo julgamento das leis. Porque dessa forma o que se combate são apenas os casos sem volta, o crime de facto; quando o que deveria ser combatido é a derrocada do humanismo, o desrespeito à vida. Infelizmente, o individualismo está alimentando o medo e a covardia de muitos, tornando nossa sociedade um território de silêncios oprimidos e violência livre.
Por Maricy Ferrazzo
Imagem: jie.itaipu.gov.br
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
HISTÓRIA
O mistério da “Praga da Dança” de 1518

Absolutamente curioso o livro do historiador americano, John Waller, sobre uma praga que teria acometido a população de Estrasburgo, então parte do Sacro Império Romano-Germânico, no ano de 1518, e levado muitos à morte. Porém, diferentemente das doenças que infestavam as sociedades da época, como a sífilis, a lepra ou tipos de febres mortais, a praga que acometeu os alsacianos se manifestou em forma de dança, ou seja, fazendo com que as pessoas dançassem sem parar, até a exaustão e consequentemente a morte.
Muito embora a história pareça material típico de lendas ou contos de fadas (Hans Christian Andersen escreveu sobre uma menina que não parou de dançar até que providenciou a amputação dos próprios pés no conto Os Sapatos Vermelhos), o historiador reuniu em sua obra uma pesquisa que expõem fatos e evidências na tentativa de comprovar a ocorrência da história.
Aparentemente, as danças involuntárias seriam manifestação em grupo de um histerismo gerado pela fome e outras privações ocasionadas por um período de baixas na agricultura e outros problemas de organização política e econômica. O frenesi dançante desses camponeses ficou conhecido por "A Dança de São Vito", iniciado com uma mulher chamada Troffea, que teria começado a dançar freneticamente na rua, no dia 14 de julho do ano mencionado, e permanecido nessa atividade por dias, mesmo com os sapatos encharcados de sangue e contra a própria vontade. Até o fim daquela semana outras 34 pessoas teriam se juntado a ela. Até o final do mês o total seria de 400 pessoas, transformando o ocorrido numa epidemia que matou por exaustão, ataque cardíaco ou desidratação.
Há teses que explicam a praga da dança como originada pela ingestão de uma espécie de fungo que se desenvolve no centeio mofado, e que libera Tartarato de ergotamina, substância componente do ácido lisérgico ou LSD. Entretanto, Waller discorda dessa explicação, afirmando que tal substância poderia causar reações alucinógenas, mas não colocar um grupo inteiro de pessoas a realizar movimentos coordenados, uma dança propriamente dita.
Mesmo com estudos voltados a explicar essa manifestação de horrores
do século XVI, ainda assim permanece o mistério acerca desse fenômeno de 500 anos, que o livro de Waller, A Time to Dance, A Time to Die: The Extraordinary Story of the Dancing Plague of 1518 (Icon Books, 2008) propõe explicar. Que a praga da dança realmente aconteceu é fato registrado e documentado, o difícil é elucidar como camponeses esfomeados, mesmo no caso de histeria coletiva, teriam forças para terem permanecido por dias em constante atividade física. Há, inclusive, uma corrente supersticiosa sobre o caso: existem relatos de que o corpo de Frau Troffea teria continuado a dançar mesmo depois de sua morte, e que a Praga de São Vito era enviada às populações descrentes e blasfemas.Na cultura medieval europeia existe universalmente a alegoria conhecida por Danse Macabre, uma narrativa do poder da morte, personificada como superior às distinções de classe, infalível. A parábola foi constantemente ilustrada no período e era utilizada como um memento mori ou também como sermão religioso. De qualquer forma, o relato de Estrasburgo sobre uma epidemia de dança involuntária não é o único nem ocorreu somente no continente europeu (ela teria se repetido ainda no século XVI na Bélgica e Holanda), tendo acontecido igualmente em 1840, em Madagascar, e em 1963 na Tanzânia.
Contaminação, histerismo ou castigo sobrenatural, o caso de Estrasburgo é mais um mistério histórico especialmente interessante, pois, nas deduções que desperta, se posiciona exatamente na linha entre o céu e a terra a que Shakespeare aludiu.
Por Maricy Ferrazzo
Fontes: G1
thepsychologist.org.uk Dancing Plagues and Mass Hysteria.
Wikipédia.com
Images: Detalhe de The Dancing Plague, Peter Brueghel, 1564.
Icon Books
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
CINEMA
AVATAR: Efeito (e enredo) especial
Há quem evite assistir filmes de ficção-científica por não conseguir se identificar com o enredo, personagens, ambiente da história. Em contraposição, muitos são apreciadores do gênero exatamente por ele oferecer uma válvula de escape para além da realidade cotidiana. Para qualquer um dos dois tipos de público, Avatar é uma ótima produção.
O filme traz a boa e velha dicotomia cinematográfica do bem contra o mal? Sim. Como todo sci-fi se passa no futuro? Sim. A história se desenrola num ambiente de guerra? Sim. Porém, diferentemente de muitos do mesmo gênero, Avatar traz várias mensagens de valor.
Além de uma produção espetacular, cheia de criações originais e minuciosamente elaboradas, o filme de James Cameron nos transporta para um mundo onde podemos visualizar em menor tempo e mais nitidamente os problemas pelos quais o nosso próprio planeta vem passando ao longo de muitos anos, que é a deterioração de nosso meio-ambiente, sendo meio-ambiente não só a natureza, mas o nosso ethos, nossa mentalidade. O filme nos põe no ângulo de visão do antropólogo, nos dá, por meio da fantasia, a chance de enxergar nosso próprio poder de destruição, a banalidade da ambição desmedida, o horror da violência.
O filme revela um mundo onde a maior riqueza de seus seres é a mãe natureza, uma força onipresente e plena, com a qual a espécie nativa interage harmoniosamente, seguindo e respeitando o ciclo de vida. Uma sabedoria há muito esquecida e perdida no planeta Terra. No planeta dos seres longilíneos, de traços felinos e pele azulada, não há exploração da natureza, há convívio. Tanto que daí se forma a crítica existente na guinada do personagem principal para um genoma diferente do humano, demonstrando que muito além da espécie, os seres devem se agregar em nome de uma consciência comum.
Em tempos de insucesso nos acordos ambientais internacionais, Avatar é basicamente pedagógico. Em tempos de produções cinematográficas vazias, onde a estética aparece desamparada de conteúdo, Avatar é um resgate de esperança.
Por Maricy Ferrazzo
Imagem: io9.com
O filme traz a boa e velha dicotomia cinematográfica do bem contra o mal? Sim. Como todo sci-fi se passa no futuro? Sim. A história se desenrola num ambiente de guerra? Sim. Porém, diferentemente de muitos do mesmo gênero, Avatar traz várias mensagens de valor.
Além de uma produção espetacular, cheia de criações originais e minuciosamente elaboradas, o filme de James Cameron nos transporta para um mundo onde podemos visualizar em menor tempo e mais nitidamente os problemas pelos quais o nosso próprio planeta vem passando ao longo de muitos anos, que é a deterioração de nosso meio-ambiente, sendo meio-ambiente não só a natureza, mas o nosso ethos, nossa mentalidade. O filme nos põe no ângulo de visão do antropólogo, nos dá, por meio da fantasia, a chance de enxergar nosso próprio poder de destruição, a banalidade da ambição desmedida, o horror da violência.
O filme revela um mundo onde a maior riqueza de seus seres é a mãe natureza, uma força onipresente e plena, com a qual a espécie nativa interage harmoniosamente, seguindo e respeitando o ciclo de vida. Uma sabedoria há muito esquecida e perdida no planeta Terra. No planeta dos seres longilíneos, de traços felinos e pele azulada, não há exploração da natureza, há convívio. Tanto que daí se forma a crítica existente na guinada do personagem principal para um genoma diferente do humano, demonstrando que muito além da espécie, os seres devem se agregar em nome de uma consciência comum.
Em tempos de insucesso nos acordos ambientais internacionais, Avatar é basicamente pedagógico. Em tempos de produções cinematográficas vazias, onde a estética aparece desamparada de conteúdo, Avatar é um resgate de esperança.
Por Maricy Ferrazzo
Imagem: io9.com
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